Construindo um Servidor de Pixel de Alta Performance e Explorando o Andromeda da Meta
A Jornada para o Event Match Quality Perfeito
No cenário atual de publicidade digital, a precisão dos dados é o novo petróleo. Com o fim dos cookies de terceiros e o aumento das restrições de privacidade (iOS 14+, GDPR), depender apenas do pixel do navegador não é mais suficiente. Foi nesse contexto que nasceu o projeto MS-Pixel.
O objetivo era claro e ambicioso: sair de uma média de 60% de Event Match Quality (EMQ) para patamares acima de 85%. Para isso, precisávamos de controle total sobre os dados, o que nos levou a construir uma solução server-side robusta.
Arquitetura Sólida com Go e Clean Architecture
Para garantir performance, escalabilidade e manutenibilidade, escolhemos Go como linguagem e adotamos os princípios da Clean Architecture.
A estrutura do projeto foi desenhada em camadas bem definidas:
- Domain Layer: Onde residem nossas entidades core (
Pixel,Event) e regras de negócio puras. - Application Layer: Serviços que orquestram os fluxos, como o
PixelServicee oMetricsService. - Infrastructure Layer: Implementações concretas de repositórios, APIs externas (Facebook, Google, TikTok) e mensageria.
// Exemplo simplificado da nossa entidade de Evento focada em deduplicação
type ServerEvent struct {
EventID string `json:"event_id"` // Crítico para deduplicação
ID string `json:"id"`
Name string `json:"name"`
// ...
}
O Segredo da Performance: Processamento Assíncrono
Para não impactar a experiência do usuário final, todo o envio de eventos para as APIs de conversão é feito de forma assíncrona. Utilizamos RabbitMQ para gerenciar filas de eventos, garantindo que picos de tráfego não derrubem o sistema e que nenhum evento seja perdido.
As Chaves para o EMQ de 85%+
Atingir alta qualidade de correspondência não é mágica, é engenharia de dados. Implementamos três pilares fundamentais documentados na nossa arquitetura:
-
Deduplicação Precisa: Implementamos um
event_idúnico gerado no backend que é compartilhado entre o evento do navegador e o do servidor. Isso permite que a Meta entenda que são o mesmo evento e mantenha apenas o mais rico em dados. -
External ID Hashing: Talvez a melhoria mais impactante. Passamos a enviar um
external_id(hash SHA-256 de dados do usuário) que permite à Meta "encontrar" o usuário mesmo quando ele não está logado no Facebook no momento da navegação. -
Enriquecimento de Dados: Adicionamos campos de segmentação avançada (como cidade, estado, gênero - todos hashados) e dados detalhados de produto (
content_category,num_items) para permitir otimizações de campanha mais agressivas.
A Experiência com o Andromeda
Durante esse processo de evolução do nosso ecossistema de anúncios, tive a oportunidade de explorar o Andromeda, o novo sistema da Meta.
A integração entre uma infraestrutura de pixel robusta (como o MS-Pixel) e o poder do Andromeda é onde a mágica acontece. Enquanto o nosso servidor garante que o sinal enviado seja limpo, rico e frequente, o Andromeda utiliza esses sinais para uma otimização de entrega que parece estar um passo à frente dos algoritmos tradicionais.
A percepção é de que o Andromeda é muito mais sensível à qualidade do dado do que à quantidade. Antes, bombardeávamos o pixel com eventos. Agora, com o Andromeda, um evento bem estruturado, com External ID e dados de produto corretos, vale por dez eventos mal formados.
Conclusão
Construir o MS-Pixel foi um desafio de engenharia gratificante. Ver o EMQ subir de 60% para 85%+ não é apenas uma métrica de vaidade; isso se traduz diretamente em ROAS (Retorno sobre o Investimento em Publicidade) e campanhas mais eficientes.
Se você está enfrentando problemas com rastreamento e performance de anúncios, minha recomendação é: pare de confiar apenas no frontend. Assuma o controle dos seus dados com uma implementação server-side robusta. O futuro da publicidade é data-driven, e a infraestrutura é a base de tudo.

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